Viviane Araújo se consagra campeã à frente da bateria do Salgueiro e é coroada pé quente
Depois de 15 anos atravessando a Avenida em cima de altíssimos saltos — esbanjando muita sensualidade e samba no pé —, Viviane Araújo, enfim, chegou ao topo e foi consagrada campeã na Sapucaí.
Um título que o Salgueiro também esperava há 16 anos. A proximidade dos números e o fato de este ser apenas seu segundo Carnaval à frente da Furiosa, foram suficientes para dar outro título à moça: o de Rainha Pé-Quente.
Afinal, mal chegou à escola da Tijuca, no ano passado, e a agremiação já foi vice, depois de ficar por dois anos fora do sábado das campeãs. É ou não é uma rainha sortuda?
Ela pode até não ser a única responsável pela vitória da agremiação, mas a verdade é que Vivi é um fenômeno do Carnaval. Ao contrário de muitas rainhas, ela reúne todos os atributos necessários: é linda, carismática, tem um corpo deslumbrante e gingado de sobra. E enfeitiça o público ao primeiro batuque da bateria de Mestre Marcão.
Para se preparar para a maratona de travessia dos 700 metros da Sapucaí, em 90 minutos de puro samba, Viviane não tem muita receita. Além das duas horas de malhação diária, a rainha costuma fazer drenagem linfática todos os dias para garantir pernas tonificadas e bumbum livre de celulite, que será alvo dos flashes e holofotes durante todo o percurso da Avenida.
“Nos dias de Carnaval não me sobra muito tempo para cuidar da beleza. No final da semana, faço as unhas para durar toda a folia e dou um jeito no cabelo, com hidratação e tintura. No dia do desfile, fico em casa quietinha, a maior parte do tempo deitada com as pernas para cima”, conta Viviane.
Este ano, como o Salgueiro foi a segunda escola a se apresentar na segunda-feira, Vivi começou a preparar o cabelo às 16h. Em seguida, foi maquiada e saiu de casa, no Recreio dos Bandeirantes, rumo ao Sambódromo. “Gosto de sair cedo para evitar qualquer contratempo. Um engarrafamento pode me atrasar e o estresse vai lá nas alturas”, ensina a musa.
A rainha de bateria da Vermelho-e-Branca tenta, em vão, disfarçar, mas os componentes do Salgueiro reconhecem que sua chegada trouxe sorte à escola. “Os diretores, as baianas e até o pessoal da cozinha dizem que sou pé-de-coelho, que foi eu chegar para a sorte da escola mudar. Eu estava ansiosa pensando ‘será que chegou a nossa hora, será que dessa vez a gente vai conseguir?’. Mas o nosso desfile não deixou dúvidas nem nas outras escolas. A gente entrou esse ano para ganhar e o título foi merecido”, diz a rainha da sorte.
Dedicação e sonho realizado
Nem todos os cuidados são capazes de evitar os pés machucados do dia seguinte. Mas nada que impedisse Viviane de continuar na Avenida para assistir às outras escolas. “Amo Carnaval. Vivo intensamente estes dias. Desfilei em São Paulo, voltei para as especiais do Rio e ainda assisti ao Grupo B na terça-feira”, conta. Na quarta, com o troféu de campeã, ela seguiu para a quadra do Salgueiro, de onde só saiu às 4h. Na quinta-feira, nada de dormir o dia inteiro. Levantou-se às 11h30 e foi à praia para relaxar, tomar água de coco e um pouco de sol para bronzear.
“Nunca vivi uma alegria tão intensa. Você rala o ano inteiro para ser campeã e quando isso acontece é uma explosão de felicidade. Cheguei ao auge, o Salgueiro me levou à consagração. Eu amo essa escola e quero me aposentar nela. Enquanto me quiserem, não saio daqui”, garante a musa, que pisou pela primeira vez no Sambódromo trabalhando como uma “daquelas meninas bonitas que distribuem ventarolas” para uma cervejaria.
“Naquela época não poderia imaginar que seria aclamada ao entrar na Avenida. É a realização de um sonho que estou vivendo”.











